por Celso Fernandes Ribeiro
Hoje o papo é curto e só dá trela aos simplesmentes.
Mal passada a ressaca da dura peleja eleitoral, começam as querelas daqueles que não sabem brincar de democracia.
Derrubar a tese de que o nordeste elegeu a presidenta Dilma não é tarefa das mais complicosas. Basta a aritmética eficaz dos padeiros e feirantes para computar que ela teve maior volume de votos no sul e sudeste (26 milhões em redondos números), se comparado aos 20 milhões de votos colhidos no nordeste.
Somemos a esse noves fora a situação emblemática de que o sujeitoso opositor tucano perdeu jogo em casa. E aí podemos considerar tanto sua casa de oficio e formalidades, Minas Gerais; ou também sua casa de artificio e veleidades, o Rio de Janeiro. Se quero fazer troça, digo que Aécio foi traído na casa da esposa e na casa da amante.
Assim, sem dificuldade, lançamos aquela tese à lixeira das conversas fiadas.
Difícil mesmo é a turma do mimimi se livrar dos ranços classistas e dar meia dúzia de passos para o século XXI, quando sufrágio censitário não mais vigora.
No a do aqui e do agora, é na urna que avistamos uma silhueta de justiça. Ali na urna, o caboclo vivedor no sem razão das injustiças sociais e econômicas, combalido pelas históricas desigualdades, vale o mesmo peso do sujeitoso que assenta sobre os cumes da riqueza toda.
Na urna é um homem, um voto. Uma mulher? Um voto valedor idêntico. E um preto? Também lasca voto com o mesmo efeito unitário.
Aí vêm os doutos senhores lambedores de beiços de sempre bradar em timbre odiento e tom acusatório: "esses uns pobres elegeram a presidenta!".
Peço perdão aos doutos senhores por engrossar o coro dos ignorantes e tascar indagação: pobre com voz não é expressão grande de civilização?
Ao contrário da infeliz vida real em sociedade, na urna não tem barão ou visconde a falar mais alto e mais grosso que o plebeu.
Resta entender que esses doutos senhores são os surdos gritadores em defesa da democracia sem povo.
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