Por Edu Praça
Nem não adianta. Pega até mal a raposa que ensaiar reclamosos
cacarejos. A primeira batalha pelo caneco da copa do Brasil rolou no Horto sob
cantos uníssonos da torcida alvinegra. O galo teve domínio dos fatos do início
ao fim e em todos os cantos da área em escaramuça. Construiu um inapelável dois
a zero no placar da justiça toda.
Não resta incerto que os maestros Levir e Marcelo se fiam
entre os melhores regentes do futebol nacional. Este até entalha alguns
desenhos de mais sofisticação na arte da boleiragem. Davia, aquele sabe de tudo
e mais um pouco no ofício de compor orquestras de competição.
A tropa galense entrou pra mostrar quem manda e se impôs
dono absoluto do terreiro. Jogou a final como final. Seu arqueiro nem não
sentiu calor nas luvas. Mal aspirou o cheiro do trabalho. Datolo, Luan e
Tardelli comandaram o baile com precisão didática de posses e passes. Marcação
da muita e correria de desafiar relógios. Não havia bola dividida que não
sobrasse em pés alvinegros.
Na contramão, o time azul tocou no compasso dos pontos
corridos e viu anulado seus outrora inegáveis talentos. Mayke, Goulart e Ribeiro
não viram conforto no couro da pelota. Investidas de pelotas ao alto, tão
eficazes em outros palcos, foram solenemente rechaçadas pelos zagueirosos
alvinegros. Dentre estes, um tal Jemerson eu nunca havia visto mais elegante em
força de humildade e segurança.
Clássico é embate de sangue em olhos e aceleração
sobreumana. O Galo foi lá e fez como devia.
De sobra, cabe louvar o combate na lealdade pura. O juizão
até exibiu lances de apitador caseiro e um dos gols foi confirmado apesar de construído
no milímetro da irregularidade. Davia, não há caboclo sério capaz de
desconsiderar humano aquele erro. Juizão levou o jogo na boa, só no
assopramento do apito. Se não me deixo engano, foi coisa de um ou dois cartões
amarelos e só. Coisa bonita.
Agora é Galo em busca de encontrar conforto vestido nessa
roupa apertada que costumam chamar de vantagem. Do outro lado, o time azul com
noventa minutos e mais uns quebrados para executar bom número diante de plateia
sua.
Nos bares e esquinas onde moram as superstições, há quem
diga que o Galo não cisca bem no terreiro da facilidade. É bicho esporado no
desafio. Será meu Cruzeiro capaz de aplicar virada no estilo que tem sido
chamado de Atlético Mineiro? O futebol é um esporte fazedor de ironias. Ninguém
não vai deixar de ver.
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