sexta-feira, 14 de novembro de 2014

por ora, terreiro do Galo

Por Edu Praça

Nem não adianta. Pega até mal a raposa que ensaiar reclamosos cacarejos. A primeira batalha pelo caneco da copa do Brasil rolou no Horto sob cantos uníssonos da torcida alvinegra. O galo teve domínio dos fatos do início ao fim e em todos os cantos da área em escaramuça. Construiu um inapelável dois a zero no placar da justiça toda.

Não resta incerto que os maestros Levir e Marcelo se fiam entre os melhores regentes do futebol nacional. Este até entalha alguns desenhos de mais sofisticação na arte da boleiragem. Davia, aquele sabe de tudo e mais um pouco no ofício de compor orquestras de competição.

A tropa galense entrou pra mostrar quem manda e se impôs dono absoluto do terreiro. Jogou a final como final. Seu arqueiro nem não sentiu calor nas luvas. Mal aspirou o cheiro do trabalho. Datolo, Luan e Tardelli comandaram o baile com precisão didática de posses e passes. Marcação da muita e correria de desafiar relógios. Não havia bola dividida que não sobrasse em pés alvinegros.

Na contramão, o time azul tocou no compasso dos pontos corridos e viu anulado seus outrora inegáveis talentos. Mayke, Goulart e Ribeiro não viram conforto no couro da pelota. Investidas de pelotas ao alto, tão eficazes em outros palcos, foram solenemente rechaçadas pelos zagueirosos alvinegros. Dentre estes, um tal Jemerson eu nunca havia visto mais elegante em força de humildade e segurança.

Clássico é embate de sangue em olhos e aceleração sobreumana. O Galo foi lá e fez como devia.

De sobra, cabe louvar o combate na lealdade pura. O juizão até exibiu lances de apitador caseiro e um dos gols foi confirmado apesar de construído no milímetro da irregularidade. Davia, não há caboclo sério capaz de desconsiderar humano aquele erro. Juizão levou o jogo na boa, só no assopramento do apito. Se não me deixo engano, foi coisa de um ou dois cartões amarelos e só. Coisa bonita.

Agora é Galo em busca de encontrar conforto vestido nessa roupa apertada que costumam chamar de vantagem. Do outro lado, o time azul com noventa minutos e mais uns quebrados para executar bom número diante de plateia sua. 

Nos bares e esquinas onde moram as superstições, há quem diga que o Galo não cisca bem no terreiro da facilidade. É bicho esporado no desafio. Será meu Cruzeiro capaz de aplicar virada no estilo que tem sido chamado de Atlético Mineiro? O futebol é um esporte fazedor de ironias. Ninguém não vai deixar de ver.


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