segunda-feira, 24 de novembro de 2014

chuva, suor e caneco

por Edu Praça

Nem não dá. Sei que haverá quem vai firular contornos épicos ao embate que consagrou o título brasileiro ao meu Cruzeiro. Vão achar boniteza na conquista pegada em adversas intempéries.

Davia, não posso tabelar em concordância. Espetáculo dessa importância, mobilizador das tensões e atenções muitas, gerador e embolsador dos dinheiros todos, não pode ser encenado em tal lamentoso palco.

É caso de lembrar que este é o mesmo Mineirão padrão FIFA que ofereceu tapete ao vexame canarinho ante os alemães na última Copa. A reforma do estádio comeu alguns anos e dinherama que namora o bilhão de reais.

Os artistas de Cruzeiro e Goiás viram sua cena de protagonismo roubada pela expressão da incompetência e do desrespeito. A torcida, razão de ser de tudo isso, paga caro pelo assento, pela assinatura da tevê a cabo e também pela pecha de otário que lhe é emplacada.

Pois é. Obstante os pesares, teve um jogo. E até que se viram expressões do futebol bom e puro.

No primeiro tempo, foi chuva desmanchadora de topetes e gramado de fazer inveja aos paulistas órfaos do Cantareira. Meu Cruzeiro entrou certinho composto de seus melhores quadros, e conseguiu até trocar passes para construir um belo gol: Everton Ribeiro na meia cancha desenhou corte de letra para leitura de Mayke em velocidade pela direita. Este calibrou preciso o cruzamento para a cabeçada anteciposa e precisa de Ricardo Goulart. Pro abraço.

Ornando o cenário da emoção, o time do Goiás logo encontrou empate. Na trombação típica de um jogo em condições atípicas, Egidio inventou uma falta desnecessária em sua lateral esquerda. A cobrança mandou bola na área azul, a zagueiragem cruzeirense errou o tempo e a redonda sobrou em pés de Samuel, que contou com a poça dágua para amortecer seu domínio e, com rapidez, encaixou belo disparo no ângulo.

O segundo tempo mandou estiagem e melhorou bastante o terreno. O gramado se reapresentou bem parecido com campo de futebol. Não isento de algum sofrimento, contido apenas pelas usuais milagragens do capitão Fabio, o Cruzeiro conseguiu fazer seu jogo, marcoso em linhas adiantadas.

Agora pela esquerda, foi a vez de William arredondar a bola da inteligência, chamar o marcador à dança e alçar assistência que encontrou Everton Ribeiro na pequena área esmeraldina para empurrar de cabeça a pelota à meta e dar números finais ao placar. Dois a um.

Futebol viçoso e regular. Orquestra de baile bem afinada pelo maestro Marcelo Oliveira. Cruzeiro precisou de trinta e seis rodadas para carimbar o gaboso título de campeão nacional de 2014.

Mas nem não nos deixemos fiar no engano dos parabéns. Torcida é coisa de fome e sede. Daqui a dois dias tem mais um caneco em disputa. Em cabeça de torcida, o jogo mais importante é sempre o próximo.

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