por Edu Praça
Nem não dá. Sei que haverá quem vai firular contornos épicos
ao embate que consagrou o título brasileiro ao meu Cruzeiro. Vão achar boniteza
na conquista pegada em adversas intempéries.
Davia, não posso tabelar em concordância. Espetáculo dessa
importância, mobilizador das tensões e atenções muitas, gerador e embolsador
dos dinheiros todos, não pode ser encenado em tal lamentoso palco.
É caso de lembrar que este é o mesmo Mineirão padrão FIFA
que ofereceu tapete ao vexame canarinho ante os alemães na última Copa. A
reforma do estádio comeu alguns anos e dinherama que namora o bilhão de reais.
Os artistas de Cruzeiro e Goiás viram sua cena de protagonismo roubada pela
expressão da incompetência e do desrespeito. A torcida, razão de ser de tudo isso, paga caro pelo assento,
pela assinatura da tevê a cabo e também pela pecha de otário que lhe é
emplacada.
Pois é. Obstante os pesares, teve um jogo. E até que se
viram expressões do futebol bom e puro.
No primeiro tempo, foi chuva desmanchadora de topetes e
gramado de fazer inveja aos paulistas órfaos do Cantareira. Meu Cruzeiro entrou
certinho composto de seus melhores quadros, e conseguiu até trocar passes para
construir um belo gol: Everton Ribeiro na meia cancha desenhou corte de letra
para leitura de Mayke em velocidade pela direita. Este calibrou preciso o cruzamento
para a cabeçada anteciposa e precisa de Ricardo Goulart. Pro abraço.
Ornando o cenário da emoção, o time do Goiás logo
encontrou empate. Na trombação típica de um jogo em condições atípicas, Egidio
inventou uma falta desnecessária em sua lateral esquerda. A cobrança mandou
bola na área azul, a zagueiragem cruzeirense errou o tempo e a redonda sobrou
em pés de Samuel, que contou com a poça dágua para amortecer seu domínio e, com
rapidez, encaixou belo disparo no ângulo.
O segundo tempo mandou estiagem e melhorou bastante o
terreno. O gramado se reapresentou bem parecido com campo de futebol. Não
isento de algum sofrimento, contido apenas pelas usuais milagragens do capitão
Fabio, o Cruzeiro conseguiu fazer seu jogo, marcoso em linhas adiantadas.
Agora pela esquerda, foi a vez de William arredondar a
bola da inteligência, chamar o marcador à dança e alçar assistência que encontrou Everton Ribeiro na
pequena área esmeraldina para empurrar de cabeça a pelota à meta e dar números
finais ao placar. Dois a um.
Futebol viçoso e regular. Orquestra de baile bem afinada pelo
maestro Marcelo Oliveira. Cruzeiro precisou de trinta e seis rodadas para carimbar
o gaboso título de campeão nacional de 2014.