Episódio flagrante de espetáculo racista
rolou na Arena Grêmio semana última. Alegre não se sabia aquele Porto. Em alvo
preferencial da desumanidade, o muito grande goleirão santista contragiu digno
por demais da conta. Sem sacar em sacanagens da agressão torpe, mostrou ao
mundo o que é muito feio e inaceitável das inteirezas do ser.
Via eu aquelas cenas no preciso momento
de suas câmeras e ações. De um átimo subiu-me engulho condenatório do projeto
humano de civilização. Com o ensaio de lágrimas ali na mucosa dos olhos onde
toda raiva do mundo mora, foi o meu pensamento: a humanidade caiu. Um projeto
falido a arrastar suas bípedes permanências primatas. Jeito não há. Eu assumia
de um jeito a culpa daquela festa sinistra que a tevê iluminava.
Virado este blogue o espaço
privilegiado dos mais e menos nobres achismos, quis num levante vir aqui botar
cachorros a ladrar e morder. Mas escorridos minutos que trouxeram a ponderação
aplacadora da cólera, pensabundo mudei: antes do manifesto, fica por bem
esperar as repercussões do fato. Certo estava que de um nada sucederia. Racismo
é causa afundada nesta terra. Vai ninguém no nada ligar pra esse troço. Somos
todos aqueles cegos dos piores e não vemos porque não queremos.
Foi tal o meu veredicto: Faliu a
humanidade! Gente que discrimina e humilha gente, tal se este gente não fosse.
Isso não cabe em moldura qualquer de razão.
Pois agora, após o curso dos dias,
me vi alegroso na contrariedade: me parece que temos chance. Indícios no
conforto de que humanidade tem ainda um seu jeito.
Houve denúncia. Polícia recebeu e
imprensa noticiou. Ainda que minhas sobrancelhas se curvem na dúvida sobre o
mérito, o clube dono da arena se ferrou expulso do torneio. Não sei mesmo se clubes
devem pagar pela imbecilidade humana. Mas de um tudo somado, achei foi bom e
pouco. Não é caso, por óbvio, de celebração desmedida. Idiotas ainda devem ser encrencados em sua idiotice.
Mas fato induvidoso é que muitos e maiores foram os indignados acenos
solidários ao rapaz Aranha, atestando que a humanidade é projeto ainda viável. Provado
viabilíssimo na postura do próprio goleirão, que declarou ter aprendido com o
rap a ser preto e grande.
Minha gratidão é sua, Aranha, por
soprar uns grãos de areia que farão mundo mais civilizado para vivência de
minhas filhas.
Receba estas letras poucas de um
caboclo em admiração da muita.
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