Dois colegosos cientistas da
política deram precisas e preciosas palavragens no Jornal Valor Econômico desta
sexta-feira 12. Um par de entrevistas timbradas no puro esclarecimento. Em
plástica de cores vivas e contornos pontiagudos, pintaram o quadro eleitoral saturando
os matizes da contradição chamada Marina Silva.
O brilhoso perguntador buscou
testar a hipótese da governabilidade caso o recheio das urnas revelasse Marina
a chefa da nação. Qual seria o apanágio de um tal comando?
De um seu lado, o sujeitoso
Octavio Amorim, da FGV-RJ, põe argumento na importância de um presidente
necessitar polpuda estrutura política, amparo em movimentos sociais organizados
e/ou tropa operante na casa parlamentar. O agá maiúsculo da história nos conta:
“Quando um presidente eleito não tem uma grande organização partidária, uma
base política sólida, ampla, por trás de si, essa Presidência equivaleria a um
navio sem lastro (...) o capitão pode ser genial, mas o navio sem lastro pode
virar a qualquer onda”.
Ora, a porta-bandeira da dita
nova política não tem partido. Tá morando de favor no PSB de Eduardo Campos e
prometeu sair assim que realizar o sonho da casa própria, com rede na varanda.
Mas quem há de ser convidado a deitar na rede?
Personalista, Marina não se avexa
no discurso de que partidos servem pessoas. Afirmativa, a cabocla candidata
alega que fará governo com “os melhores”, desimportando a filiação partidária. À
parte a arrogância essencial de quem se atribui o dom da definição dos “melhores”,
meu colegoso cientista traz advertência: “É ruim. O sistema partidário é o
lastro do sistema político”.
O que Amorim trata como
contradição, Luiz Felipe Miguel, da UnB, logo detona como estratégia: “Marina
está pronta para jogar o jogo que sempre foi jogado. Apesar de ter se
apropriado desse discurso da nova política, eu a vejo como uma política muito
pragmática”. A velha espertice a piscar olhos para a desfaçatez.
Marina está penteada em coque de
saber que terá de se render ao câncer dos peemedebismos próprios do regime de
coalizão. Nesse um quadro, Marina não teria problemas de governabilidade pelo
simples fato de que vai se aliar aos lambedores de beiços de sempre para
construir seu apoio no Congresso.
Miguel completa desalentosa
conclusão: “A tendência da política brasileira, da forma como ela ocorre, é o
desencanto do eleitor a cada novo governo. Porque existe um descompasso entre
aquilo que se deseja, de uma política mais transparente, mais limpa, mais
programática, e a prática”.
Em linha de concordância, cá este
blogueiro achista das coisas políticas só vê saída pela reforma da casa toda.
Partidos devem ser bons e poucos. Nunca jamais financiados por empresas.
Enquanto reforma não vem, Marina
lança ao vento vão o grito de novidade. Para logo em seguida nos dar boas
vindas de volta à velha política.
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Não deixem de ler as entrevistas completas. Alguns outros aspectos em muito interessantes são abordados. Abaixo
lanço o endereço. Talvez só abram a porta para assinantes. Se for o caso, me
convide prum chope e deixo você ler no meu espertofone.
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