Nos
jornalões e panfletos. Nos apitos do aparelho celular. Nas mais frequentadas
redes virtuais e bodegas de esquina. Em todos os meios, é mensagem somente uma:
a escolha do chefe da nação. Ou chefa, como indicam agora as roletas todas do
bom senso.
Se
este nosso povo não despavimentar o que parece estrada certa, teremos a lisonja
de um duplo presente: o drible à dicotomia da máxima mesmice emoldurada por
petês e tucanos, lançando estes de lambuja ao segundo cenário do coadjuvismo. Ainda
que possam ostentar um resto de calibre decisório ante uma das candidaturas
protagonistas no decisivo turno.
Mas
não vejo hora de abordar as mumunhas muitas dessa disputa. Pelo antes inverso,
venho sublinhar em traço de contrariedade o buraco negro eleitoral havido e
vivido. Quero mesmo é desviar um tanto os olhares e orelhas do duelo central entre Dilma e Marina. Queiram entender o porquê.
Não
vejo muito uns poucos volumes de ares inspirados ou suores derramados que não
sejam em função da escolha presidencial. As tensões e atenções estão todas ali,
atraídas àquelas duas mulheres-buraco-negro. Colados nelas, não deixamos luz ou
tempo ou espaço para as importâncias do redor.
Em
um desse quadro, soa como matéria de esquecimento que a eleição é ampla, geral
e quase irrestrita.
Tenho
cá que as casas do parlamento e os governos locais são os mais diretos
mandatários de nossas demandas, ferramentosos governantes de nosso bem estar.
Escola, esgoto, mobilidade e segurança são alguns exemplos de objetos da
governação próxima. Redundo persistoso na prosa de que uns temas dessa grande
importância estão sem destaque na pauta, em parte porque são vinculados à
esfera local.
Mas
não adianta: brasileiro faz encanto demais do ocupante da cadeira central do
governo federal. Olha bem lá e longe, mas desdenha de sua cozinha.
Pois
se me dão a chance de esboçar proposta de mudança institucional feita no buril
do achismo, seria de boa função dar jeito de apartar as escolhas federais e
locais. Reservar período eleitoral para as escolhas locais (governos de estado,
deputados estaduais, prefeituras, vereadores) e juntar as escolhas federais em
período outro (presidente e deputado federal). Senado pode entrar nas duas
rodadas, já que o mandato é de oito anos, ora renovando um terço, ora renovando
os outros dois terços.
Desse
um jeito, conseguimos dispensar mais equilíbrio e atenção importante a tudo que
importa.
Enquanto
assim não é, caros amigos leitores, olhemos na sala grande para a briga entre
Dilma e Marina, mas olhemos também em força de carinho pra nossa cozinha, onde
é afinal cozido nosso rango e lavado o prato do amanhã, em que não teremos o
condão de cuspir.
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