segunda-feira, 1 de setembro de 2014

contra o buraco negro eleitoral

por Celso Fernandes Ribeiro

Nos jornalões e panfletos. Nos apitos do aparelho celular. Nas mais frequentadas redes virtuais e bodegas de esquina. Em todos os meios, é mensagem somente uma: a escolha do chefe da nação. Ou chefa, como indicam agora as roletas todas do bom senso.

Se este nosso povo não despavimentar o que parece estrada certa, teremos a lisonja de um duplo presente: o drible à dicotomia da máxima mesmice emoldurada por petês e tucanos, lançando estes de lambuja ao segundo cenário do coadjuvismo. Ainda que possam ostentar um resto de calibre decisório ante uma das candidaturas protagonistas no decisivo turno.

Mas não vejo hora de abordar as mumunhas muitas dessa disputa. Pelo antes inverso, venho sublinhar em traço de contrariedade o buraco negro eleitoral havido e vivido. Quero mesmo é desviar um tanto os olhares e orelhas do duelo central entre Dilma e Marina. Queiram entender o porquê.

Não vejo muito uns poucos volumes de ares inspirados ou suores derramados que não sejam em função da escolha presidencial. As tensões e atenções estão todas ali, atraídas àquelas duas mulheres-buraco-negro. Colados nelas, não deixamos luz ou tempo ou espaço para as importâncias do redor.
Em um desse quadro, soa como matéria de esquecimento que a eleição é ampla, geral e quase irrestrita.

Tenho cá que as casas do parlamento e os governos locais são os mais diretos mandatários de nossas demandas, ferramentosos governantes de nosso bem estar. Escola, esgoto, mobilidade e segurança são alguns exemplos de objetos da governação próxima. Redundo persistoso na prosa de que uns temas dessa grande importância estão sem destaque na pauta, em parte porque são vinculados à esfera local.

Mas não adianta: brasileiro faz encanto demais do ocupante da cadeira central do governo federal. Olha bem lá e longe, mas desdenha de sua cozinha.

Pois se me dão a chance de esboçar proposta de mudança institucional feita no buril do achismo, seria de boa função dar jeito de apartar as escolhas federais e locais. Reservar período eleitoral para as escolhas locais (governos de estado, deputados estaduais, prefeituras, vereadores) e juntar as escolhas federais em período outro (presidente e deputado federal). Senado pode entrar nas duas rodadas, já que o mandato é de oito anos, ora renovando um terço, ora renovando os outros dois terços.

Desse um jeito, conseguimos dispensar mais equilíbrio e atenção importante a tudo que importa.

Enquanto assim não é, caros amigos leitores, olhemos na sala grande para a briga entre Dilma e Marina, mas olhemos também em força de carinho pra nossa cozinha, onde é afinal cozido nosso rango e lavado o prato do amanhã, em que não teremos o condão de cuspir.

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