terça-feira, 26 de abril de 2016

dia seguinte

Cuca Linhares

No enfim. Cá tomo volta depois de longo assento silenciado dessas letras. É que caminhar nas sombras do momento político pede apuro de olhos e ouvidos. No recente do tempo, gritar nas ruas e praças fez mais importância que essa minha conversa fiada de pensabundo.

Vê se não. Lá se vai uma boa centena e meia de dias e o disco não vira. De todo um jeito só querem mesmo é varrer o petê. Tudo que é indignoso grito ecoado em jornalões e tevês continuam cabendo num só partido político.

Resta claro que o petê ainda deve seu mea culpa pelos amasios todos com os lambedores de beiços de sempre. Feito em feira, vendeu nossos votos e uma dúzia de almas pro peemedebê, nos preços menores a cada xepa de mandato. Faltou a exercitosa autocrítica. Vendeu na baixa e agora paga caro.

Davia, isso não torce pelo menos três realidades. Uma, que o avanço civilizatório do país sob o petê é inegável. Outra, que esse um povo depositou escolha na continuidade do petismo no comando da máquina executiva. Apesar dos pesares todos, Dilma se revelou preferida por um mundo de povo cabreiro com as alternativas postas no ano catorze. E no terceiro, fato de que não pesa sobre a presidenta nem nenhumas desconfiosas acusações.

E se assim foi como foi, só cabe na regra que a chefa Dilma ganhou mais quatro anos pra mostrar serviço, a menos que se caia enrolosa em crime de responsabilidade sem morada na dúvida.

Mas já nem não querem saber. Os pastores da república rezam em livro que não é a constituição. Ensaiam seu golpe ao arrepio de regras. Na cumeeira da tragicomédia, a câmara virou igreja para aceitar impítiman sem pecado. Agora cabe ao senado montar o juízo final da coisa feia toda. Mas será mesmo esse juízo o final da novela e todos felizes para sempre?

Vamos então supor que a tese sem fundo da pedalada encontre morada também no senado federal. Vai que a Dilma tombe mesmo na rasteira baixa. E depois, nasce o sol do dia seguinte? Haverá aguardo de luz alguma e travessia firme em ponte pro futuro? Pois cá estes meus olhos que veem se veem perdidos na ceguice do breu.

Dizem uns que a mudança do governo gera choque de confiança sobre a economia. Sendo desenvolvimento tarefa de longo prazo, fico cá pensando que naipe de sujeito com dinheiro no bolso vai topar investimento grande se a turma no poder nem não respeita o calendário da democracia.

No registro da coisa curiosa, após o culto ecumênico de domingo 17 de abril, aquela tal lava jato e seu um juiz salvador da pátria desceu súbito das manchetes. Enquanto isso, a corte suprema deixa Seu Cunha desincomodado na chefia encomendosa do golpe e sem aguardo do julgamento de seus muitos crimes. Tribunal misericordioso.  De um fato, quando quer, um juiz é capaz de julgar na fração do segundo. Mas quando calha, faz de assento seus processos. 

Panelas silentes.

Cá estes meus olhos só alcançam barulhosas trevas.

Governo sem voto tomado de assalto sem agenda nem compromisso com o povo. Aprendi com o mestre o que meto nas aspas: “O avanço político, que é o mais difícil e importante de todos que logra o homem, faz-se aprendendo a administrar conflitos. Daí que só as sociedades democráticas o realizem com segurança.” Democracia sem povo é a bagunça desfilando namorosa na mão dada com o dia seguinte. Pura entropia sem o nenhum sentido.

Brasil tem mesmo essa uma mania histórica de consertar falha na política reduzindo a taxa de povo no processo. Típico de país que não  desacostumou  a ter donos. Pois tarefa de democracia dá trabalho. Não seria hora de proclamar a república?

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