por Celso Fernandes Ribeiro
Quedou mesmo na rasteira. O
governo tombou afastado em golpe dado pelos próprios sócios de outrora. Na
feiura da traição toda feito facada nas costas, o senado mandou a comandanta
Dilma para casa até que sejam julgadas suas pedaladas.
Seria ladainha rezada no inútil
repetir que o petê não tá pagando muito mais caro que a fatura plantada. Em
doze anos no nome da tal governabilidade, o partido dos trabalhadores admitiu
aceitoso um bocado das sujas barbaridades. Nessa uma toada de alianças, foi
entregando anel por anel até que perdeu foi tudo que é juízo e dignidade junto
com os dedos. Gente que se fia em Sarney vai mesmo acabar desenfiada por Cunha
e Temer.
Bom, estamos combinados então que
o petê, embaçado no deslumbre das vacas gordas e do vento em popa da era Lula,
não fez o que devia ter feito nas searas da reforma política, da coragem
econômica e meia dúzia de outras tarefas que poderiam ter levado esse um país
do século dezenove ao vinte e um.
Davia, vamos cá combinar também
que estar só e mal acompanhado não é bastante razão para que um governante
mereça impedimento sem crime escancarado na evidência. Dilma foi eleita no voto
limpo e caiu agora tão simplesmente pela perda de apoio no parlamento e na
sociedade, tomados todos pelo antipetismo ensinado no dia a dia de tevês e
jornalões. As tais pedaladas foram o pretexto achado para dar jeito de macular
mulher vestida na seriedade.
O certo seria no assim: governo
ruim a gente xinga, esperneia e aguenta quatro anos para tentar um melhor. Caso
contrário, não resta regra de democracia para fazer respeito. Vira bagunça da
pura.
No lamento dos infelizmentes,
assim foi. O golpe parlamentar e midiático alçou o sujeitoso Temer ao poder máximo.
Mal sabe ele que o golpe não foi mais que o primeiro passo calçado no
insuficiente. Digo o passo menos difícil até. O presidente golpista vai ter que
cavar sua legitimidade em terreno que margeia o impossível. Pesquisas já
mostraram que sua rejeição é gigantosa. Ninguém sentado no bom senso vai
reconhecer governo sem voto.
O presidente interino já assumiu cometendo
patetadas. Rodeado pelos palacianos todos homens e todos brancos, fez um
discurso medíocre e monótono clamando a comunhão nacional. Com seu lema “ordem
e progresso”, fez logo mostra que o objetivo é fincar pé no século dezenove.
Como se não bastasse a cantilena
esperada para agradar os deuses dos mercados e os lambedores de beiços de
sempre, tascou inspirado uma frase de parachoque de caminhão: “Não fale em
crise. Trabalhe”. Disse até que pretende levantar a confiança do país
espalhando milhares de outdoors com
essa frase.
Não falar pode mesmo compor um
bom mote de um governo sem legitimidade. Vai que pega cola. Um convite para
fazer da vida um exercício cego de fé e silêncio.
Não fale na crise. Logo, ela não
existe.
Não fale na corrupção. Logo, ela
não existe.
Não podia ser mais genial como
estratégia desse naipe governo, não fosse o óbvio de que não vai dar certo. Não
bastou mais que um dia útil de governo para que Temer conseguisse decepcionar
até mesmo quem não esperava nada.
Resta claro que um lema mais
apropriado ao arremedo de governo instalado à revelia do voto poderia ser: Nada
está tão ruim que não possa piorar bastante.
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