sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Delcídio e a ladroagem dos outros

por Cuca Linhares

Nem não tem porém. Por mais ilegal que fosse, prisão desse um caboclo Delcídio foi bom e pouco. Na botija do crime feioso, arrastou junto ao xilindró um banqueiro parrudo das altas engomagens. Não dá pra não achar que é coisa legal, mas muito. Legal demais da conta ver esse naipe de bandido no sem jeito.

Todo um mundo sabe das minhas esquerdices e do meu engaste firmoso no envolvimento para eleger esse e outros governos do petê. Isso não significa, davia, uma adesão acrítica, principalmente nesse desgoverno atual que prometeu o que não fez e se enrolou pelo que não prometeu na iludida esperança de agradar o inimigo.

Então vamos no estabelecer das verdades algumas: - o governo é, na regra, fraco e incompetente; - a presidenta se mostra inepta, o que não taca um triz sobre a retidão de sua honestice; - petê é partido que sucumbiu feito a regra nas tretas não republicanas; - na exceção do Genoíno, não vi nenhum petista preso sem motivo nesses últimos tempos de cruzada antipetista.

Voltemos então ao fio desse novelo do senador preso anteontem. Em conversa telefônica gravada, o cabra fala de deus e o mundo. Cita as mais eminentes personagens da república sem pisar no nenhum constrangimento. Bota na clareza toda o fato de que o esquemão todo da lava jato remonta a tempos muito idos para lá atrás de dois mil e três.

Ele mesmo, o sujeitoso Delcidio, foi alçado a diretor mutretoso da Petrobras na época fernandista. Davia, a contar dos tratamentos recentes da mídia e do Judiciário, tudo leva a crer que Delcídio era caboclo sentado na poltrona limpa da honradez até que assinou a corruptora filiação partidária ao petê. Aprendeu a roubar com os petistas, estes sim ladrões por princípio desde o princípio.

Mas aí vem a turma indignosa achando ruim quando a gente reclama que só petista roda e dança nesse circo de horrores que se transformou a república brasileira. No brado retumbante dessa turma, aparece afirmação escrita no óbvio: o fato de que tucano rouba mais e há mais tempo e sem sofrer grande incômodo da mídia ou do Judiciário não justifica as tretas do petê. Bandido é bom preso no longe do convívio social, independente de sua ideologia ou filiação partidária. Claro que não justifica.

Não podemos, davia, simplesmente aquiescer satisfeitos com essa obsessão antipetista. Não é por aí que vai nossa reclamação quanto à indignação seletiva e à paz vivida pelos cunhas e aecios e renans e outros oposicionistas e governistas de crimes conhecidos. Não é para justificar as imperdoáveis barbaridades dos assaltantes petistas aos cofres públicos. Mas para esclarecer um ponto crucial à sociedade que está quase acreditando que todo petista é bandido e que só petista é bandido.

Nessa toada, ao não investigar e punir os crimes dos criminosos de outros partidos, mídia e Judiciário transmitem essa visão desenhada no antipetismo e não apontam para a necessidade de refundar instituições da república que moram na raiz da corrupção toda. Reforma política de verdade é tarefa urgente se queremos ajustar pro futuro um jeito mais republicano de fazer a política.

Mas do jeito que a coisa é feita e mostrada no bombardeio das manchetes, faz muita a gente acreditar que basta tirar o petê do poder que fica tudo certo. Os santos lambedores de beiços de sempre voltarão a mamar sem incômodo. 

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