por Cuca Linhares
Vê se não. Tanta coisa. Os bondes passando e nós
aqui na sem condição de pongar. No passo que passam as oportunidades todas, a
angústia finca cabeça de não aproveitar nenhumas.
A gente nem não sabe pra onde vai nosso
tempo. É nós o tempo todo fazendo minuto e hora de gastar sem pra que ou pra
quem, sem entender como o destino do nosso tempo define o tempo do nosso
destino. E assim a gente despresta atenção no amor e nas belezas todas que não moram nos eslaides de
pauerpointe que decoram as paredes de nossa vida.
E assim, sem tempo, tudo vai chegando
no seu lugar. O branco chega nos cabelos. As gorduras deitam confortosas na
cintura. E assim a gente se esquece de si e vai caçar dinheiros para calçar futuro de uns filhos
que já não achamos o tempo de ver crescer. E os dinheiros até vão preguiçudos
sentar nos bolsos sem querer saber o que fazem ali. Afinal, pra que servem os bolsos
senão como descanso dos dinheiros?
No agá do hoje, acordei com bolso
cheio de confusão. Num é que estamos, quase sem querer, operando a mágica de
fazer sumir a vida toda?
Pulo da cama e bato a cara nessa
janela que já não mostra ninguém nem nada lá fora. Essa mesma janela que
cobrimos de grades para confinar o olhar que não sai e se proteger do resto que
não entra.
Os amigos bons e velhos vão ficando,
velhos como nós, pelo caminho. Reparo que todo mundo tá sumido de todo mundo.
As amizades já não se exercitam no cotidiano da prosa e da mesa de bar que era
só política da pura.
Todo mundo no ritmo solo da sua
própria falta de tempo. Indivíduos que desaprenderam a tocar forma de orquestra.
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