por Celso Fernandes Ribeiro
Tenho medo apenas. Assisto duvidoso aos movimentos da política econômica caseira e não deixo logo de tecer os longos bordados do achismo.
Impressão toda de que o governo do petê arregou. Eleito e só eleito pela mobilização em torno do papo progressista, o governo concedeu todo poder e força a um Levyatã da finança, que reclama a reconquista do elo perdido da credibilidade da economia nacional. No tossir da vaca, o governo deixou-se vencer pela cantilena da austeridade, entoada pelo estabelecimento midiático conservador.
Carícias plenas ao sorriso salivoso dos lambedores de beiços de sempre. Voltam sedentos. Juros pro alto. Gastos pra baixo. A tal austeridade: verdade dos que rezam pelo deus Mercado e pregam pé no freio como passo necessário da reaceleração.
Ora, se sei um algo sobre a seara econômica dita ciência, não vejo aí prumo que não nos leve ladeira abaixo. Um desse pé fundo no freio pode virar é cavalo de pau. Economia no buraco de vez. Mais duras penas.
Não resto convencido de que um ano de conta no vermelho é feito para soar alarmosos gritos e sacar grandes tesouras. Ainda menos se nossa dívida líquida reside na casa dos trinta e cinco por cento do PIB. Casa cheia do conforto.
De imediato, não vejo também lá fora oportunidades para exportações que reanimem nossa produção. No fanque da austeridade, é tudo quanto é país descendo até o chão, enredados desde 2007 na mesma armadilha. Ninguém quer comprar o que todo mundo quer vender. Pra completar, o juro pro alto se traduz em real muito valorizado, acrescentando mais peso de dificuldade pra nossa indústria chegar no exterior.
Criar condições para a renovação da classe empresarial que comanda essa indústria é coisa benvinda. Afinal, a cantilena da austeridade é arranjo em orquestra da elite fazedora de PIB. Em aqui no Brasil, a meia dúzia de empresários que manda no investimento está junto com a banca, apostando contra o país. Não gostam desse governo, tido e dito o mais corrupto da história nacional. Não há Levyatã capaz de mandar choque positivo de expectativas nesse pessoal. É murro puro em ponta de faca. Esse pessoal tem a expectativa de ver esse governo no fim da noite, aos pedaços, a voltar pros braços certos.
A massa de emprego e rendimentos aqui dentro ainda se encontra no cume da história. Só enxergo aí o azeite para reativar a engrenagem da máquina econômica. Caso contrário, a cara é de ciclo vicioso.
O pós-crise em países muitos revelou que a caixa de ferramentas do FMI tinha muita picareta. Os próprios economistas do FMI, em rara demonstração de humildade, declararam-se perdidos, sem um confiável mapa do caminho.
Austeridade. Haja novena pra crer nesse estratagema. Eu prefiro mirar o exemplo do homem de Atenas.
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