por Cuca Linhares
Nem não é coisa nova. É trato conhecido e reconhecido dos antigos: ao menos desde Aristóteles a política é havida como cuidação da coisa pública. Na raiz, o objeto da política é a pólis, espaço social da vida coletiva. Resta induvidoso que o plantio do interesse particular para fazer sombra na razão pública só pode ser a antítese da política.
Davia, não quero cá oferecer tese escrita no papel branco da ingenuidade. No agá do hoje, sei que os sujeitosos fazedores da política não andam olhando muito além do raio imediato de umbigos e narizes. A tese aristotélica é letra moribunda. Grito sem eco.
Ainda assim, fato recente aguçou meus achismos de pensabundo. Reputada senadora Marta Suplicy veio a público trajando vestes chiques de vítima a se proclamar restringida por sua agremiação, o petê. Alega-se impedida de postular cargos importantes, à altura de sua capacidade.
Não posso achar conforto ao sentar em cadeira desse entendimento. Ora, a reclamosa senadora não vê então o Senado Federal como casa digna das suas importâncias. O posto de senadora da República é migalha para seus famintos predicados. E os Ministérios? A sujeitosa senhora foi contemplada a chefiar as pastas do turismo e da cultura. Pode um caboclo considerar pequeno o café de um ministro de Estado? Amargo de engolir.
De um fato: tudo quanto é general de estrela petista virou alvo da chutação de balde. Primeiro fez a questão de lançar ao vento uma carta de demissão do Ministério da Cultura com críticas à política manejada por Dona Dilma. Na cumeeira da sua putice (ou filhadaputice), cravou dúvida sobre o moral de seu sucessor no Ministério, Juca Ferreira. Mercadante recebeu carimbo de inimigo. Falcão de traidor. Até Sua Santidade Lula foi colocado em vestes de pau oco.
Sobre o petê, disse a verdade que só se diz entre paredes sem ouvidos: "ou o partido muda, ou acaba". Deu de bandeja a manchete pro jornalão.
Os noves fora do cálculo político mostram que a indignosa jogadora quer vender seu passe para o time do pemedebê, clube sênior do oportunismo político. O objetivo é disputar a prefeitura de São Paulo. Quer mais poder pessoal e sentar-se à mesa ao lado dos lambedores de beiços de sempre. Afinal, que nobre projeto a turma dos Temeres, Cunhas e Calheiros oferecem ao país?
A psicóloga Marta fez da política profissão. E talvez consiga junto a seu novo partido a proeza nefasta de avacalhar a reeleição de um dos mais antenados quadros políticos do país à prefeitura de São Paulo.
Desvairada. A senadora. Pois a Pauliceia, espero que tenha o juízo de não cair nessa.
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