segunda-feira, 18 de agosto de 2014

sobre a queda de Eduardo

por Cuca Linhares

Num desse jeito, este blogue vai virar um obituário. Este ano da graça dos dois mil e catorze não parece em coisa boa. Amontoado de dias que não se cabem de tanto juntar partidas tristes.

Eu nem acho assim que a morte é instituto sempre assombroso e fedorento, levador de tristeza pura. Quando em ordem de passagem após punhadão bom de tempo em saúde de realizações, a morte pode ser vivida natural até com certo contente. Mas um evento fatal desfechado por acidente é de carcomer as têmporas em arrepio.

Pois veio ela mais outra vez, a morte matante, se avizinhando repente em cor de explosão.

Eduardo levado embora e junto com ele meia dúzia de caboclos gentes da fina. Tragédia grande daquelas de tornear a História toda.

Indago aos deuses meus nenhuns qual o sentido de obra desse naipe do destino. Há quem diga lá mesmo naquelas bandas do Pernambuco que o destino não é mais que o acaso atrevidamente empavonado em mania de grandezas. Acaso lapidado no dia escolhido: o mesmo 13 de agosto que cerrou olhos do velho Miguel Arraes, formoso líder chegado das esquerdices, altivo nas coisas da política e avô do Eduardo, este líder novo de uma vida política inteira que podia ter sido e que não foi.

Curioso que no dia próprio de todo desditoso infortúnio, tinha eu sido apresentado a toda família grande dos Campos, compartilhado sorrisos sinceros de empatia com a força de Renata, e apertado firme a mão do presidenciável candidato. Entrelinhas, claro: encontro feito somente por caso das letras pontiagudas da Daniela Pinheiro.

Minha leitura findou em forma de cumprimento sincero ao sujeitoso Eduardo, ainda que sem qualquer hipótese de traduzir em voto na contenda eleitoral iminente (pelo menos não agora, enquanto deitado ele numa rede esquisita que só vê direção de rebentar).

Para aquém do humano, posso justo até confessar que fiz choro de lágrima e tudo quando vi lançada na rede, a outra esta aqui em que me leem, uma fotografia de Eduardo com seu caçula, exuberando sorrisão de pai. Não deu pra não abraçar sujeito.

Eduardo era gente grande no alto das importâncias.

E o povo brasileiro nem sabia ainda (saberá jamais) dos bons motivos havidos, bem outros distintos daquele meu, para chorar essa ida sem volta.

Não vejo hora de falar analisativo dos estratagemas políticos burilados dessa tormenta. Dos descaminhos que se abrem mal traçados na corrida pelo poder. Isso é seara que meu amigo Celso de certo tomará conta mais própria em breve.

Fato registroso é que o caboclo Eduardo, ao cair botando fogo em quintal paulista – que não era o seu – desmatou campos concretos de engenhoso cultivo e anda queimando nervos muitos dos politiqueiros da paróquia.

Ali no baixio das mesquinhas humanices, tristeza torpe é ver ocorrência de velas e lágrimas tornada trivial ato eleitoral. Não o digo pelo povo, legitimado nesse proceder. Mas pelos lambedores de beiços de sempre.

Já saiu a primeira pesquisa boca de túmulo.

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