por Edu Praça
Numa contenda em guerra, é a peaozada rasa quem assume a linha
de frente. Vidas na soleira da desimportância. No turno da peleja
futebolística, de inverso, ali coincide quem primeiro põe cara a combate e quem
embraça louros de artilharia.
O futebol é o festejo de lanceiros atacantes. São os donos das
elevadas patentes, condecorados pelos cânticos da nação.
Ocioso redundar que o equilíbrio é traço de força determinoso
dos times campeões. Sem sopro duvidoso de titubeio: uma infantaria de onze em campo
de batalha precisa se fazer bloco compacto de forças audazes; os setores todos
do campo precisam de sujeitosos hábeis na astúcia.
É num justo dizer afirmativo, porém: não há no encontro da
História maiúscula uma equipe de alto desempenho sem pelo menos duas figuras de
ação crucial, a saber, o guardião da meta e o zagueiro, este sempre em
interdependência de dupla.
Não conheço talho de vitórias em time sem grande goleiro ou descomposto de zagueirudos trapalhões. São eles os generais e furriéis de toda parada:
enxergam todo o tabuleiro e sustêm maestria nas artes do tempo. Dos tempíssimos
e átimos para as ações e reações precisas.
Com estes, não há ocasião de falha e perdão tampouco.
Ontem foi dia desses. No Mineirão, a infantaria azul estrelada
suplantou a retrancada trincheira armada pela trupe do Felipão. Não sem toda
paciência e perspicácia.
Quem sorriu em capas de jornal foi Dagol, o autor do disparo
capital.
Mas quem as luzes, câmaras e ações deveriam buscar são aqueles
que levaram de um fato a vitória no lombo: Fábio, fiador das brechas e erros
alheios, e o garçom mitológico Dedé.
O jogo era jogado: a turma gaúcha esperava o dono da casa e só
saía em agudos contrataques. Construiu assim as mais efetivas chances da peleja
e poderia até sair vencedora, não fosse a goleiragem de Fabio, o maior de
todos, um monstro das difíceis intervenções flertando com as prodigiosas
milagragens.
Numa ofensiva gremista, numa hora daquelas que só atende pelo
nome agá, Dedé botou desarme cirúrgico, enfiou contrataque à direita e, em
tabela com Alisson, recebeu à frente em zona que não se chama conforto. Correu
passos com a pelota, desacelerou como o jamaicano Bolt a não querer radicalizar
recordes, olhou e pensou quase a coçar queixo. Então entregou a glória em forma
de esfera na cabeça do lanceiro roubador de brilho.
A infantaria azul estrelada segue firmosa na afinação das
lideranças.
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