sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ode à vitória da defesa

por Edu Praça

Numa contenda em guerra, é a peaozada rasa quem assume a linha de frente. Vidas na soleira da desimportância. No turno da peleja futebolística, de inverso, ali coincide quem primeiro põe cara a combate e quem embraça louros de artilharia.

O futebol é o festejo de lanceiros atacantes. São os donos das elevadas patentes, condecorados pelos cânticos da nação.

Ocioso redundar que o equilíbrio é traço de força determinoso dos times campeões. Sem sopro duvidoso de titubeio: uma infantaria de onze em campo de batalha precisa se fazer bloco compacto de forças audazes; os setores todos do campo precisam de sujeitosos hábeis na astúcia.

É num justo dizer afirmativo, porém: não há no encontro da História maiúscula uma equipe de alto desempenho sem pelo menos duas figuras de ação crucial, a saber, o guardião da meta e o zagueiro, este sempre em interdependência de dupla.

Não conheço talho de vitórias em time sem grande goleiro ou descomposto de zagueirudos trapalhões. São eles os generais e furriéis de toda parada: enxergam todo o tabuleiro e sustêm maestria nas artes do tempo. Dos tempíssimos e átimos para as ações e reações precisas.

Com estes, não há ocasião de falha e perdão tampouco.

Ontem foi dia desses. No Mineirão, a infantaria azul estrelada suplantou a retrancada trincheira armada pela trupe do Felipão. Não sem toda paciência e perspicácia.

Quem sorriu em capas de jornal foi Dagol, o autor do disparo capital.

Mas quem as luzes, câmaras e ações deveriam buscar são aqueles que levaram de um fato a vitória no lombo: Fábio, fiador das brechas e erros alheios, e o garçom mitológico Dedé.

O jogo era jogado: a turma gaúcha esperava o dono da casa e só saía em agudos contrataques. Construiu assim as mais efetivas chances da peleja e poderia até sair vencedora, não fosse a goleiragem de Fabio, o maior de todos, um monstro das difíceis intervenções flertando com as prodigiosas milagragens.

Numa ofensiva gremista, numa hora daquelas que só atende pelo nome agá, Dedé botou desarme cirúrgico, enfiou contrataque à direita e, em tabela com Alisson, recebeu à frente em zona que não se chama conforto. Correu passos com a pelota, desacelerou como o jamaicano Bolt a não querer radicalizar recordes, olhou e pensou quase a coçar queixo. Então entregou a glória em forma de esfera na cabeça do lanceiro roubador de brilho.

A infantaria azul estrelada segue firmosa na afinação das lideranças.

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