terça-feira, 5 de agosto de 2014

a futebolização do pensamento e a guerrilha da razão

por Cuca Linhares

Sem lugar à dúvida derretedora do caráter, o futebol é a magia diabrosa que bota em xeque a verdade estabelecida nas ciências da vida aceita: será o sujeito homenzudo um animal racional?

A justa espécie homo sapiens sapiens se descobriu, no clímax de sua harmonia, bateria e evolução, um ser enfeitiçado. Que insondáveis mistérios faz um caboclo reto vestir pavilhão de clube social e entoar hinos de fidelidade que alguns não dispensam à própria dona patroa?

Meu time é melhor que o seu porque é meu. Isso é jogo de paixão. Controlar objetos é função de mãos e polegares opositores. Inventaram de fazer rolar a bola, tirando o pé do seu papel normal. Foi criado o esporte sensacional, guardadoso de toda surpresa. Jogo em que o pior (ou seja, o outro) pode vencer, deuses meus nenhuns!

Vestido de ingenuidade, achava eu que um dia os caboclos sapiens fossem tratar o jogo como jogo, esporte que é. Rivalidade dos fraternos. Alegria das puras.

Mas nada. Vergonhado de verdade, o que vejo é não só acirramento nos assuntos da bola, mas a futebolização de tudo quanto é assunto. Repente, todas as temáticas postas à mesa se tornam um jogo de paixão, tombando a razão em guerrilha.

Na política já não cabe crítica. Cada um tem seu time e torcida. Tudo ou nada. Petê não dá! Turmosa comedora de criancinha do caraio. Tem que acabar com essa raça que inventou a corrupção em nosso balneário brasilis! Tucanada é os fedepê da elite branca. Cambada de reaça hipócrita vai privatizar a senhora sua mãe e arrochar o salário dos apaniguados!

Nesse campo de guerrilha, é sim natureza nobre escolher um lado. Mas clamo a todos os deuses meus nenhuns, teria tudo no mundo apenas dois lados infundíveis e inconfundíveis!?

Tá foda! País divido e sem crítica é das piores lascaduras.





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