por Celso Fernandes Ribeiro
Figura onipresente na vida das gentes: o jornalista.
Nesse metiê das mídias informativas e deformativas, já rareiam aqueles profissionais ministros do fato. Emergem gravosos os embaixadores da versão. Fazem jornal em papel de polêmica.
De ofício, revelam-se antes jornaleiros que jornalistas, dada função precípua de vender jornal.
Talvez sido sempre assim. Induvidosa realidade é que atual notícia vergou
em cara pura de mercadoria. Se informação da boa já não entusiasma, o negócio é
comerciar manchete.
Fica impressão que ninguém lê o jornal
além das letronas. Ali no topo garrafal bonitão o sujeitoso jornalista bota o
que quer o editor patrão. Interessa pouco se o composto textual
de letrinhas que vem debaixo das letronas relativiza, desdistorce ou contradiz
a própria cabeçalha. Ninguém dá trela às pequenas letras.
Por ora de exemplo, vivemos fase de corrida para
escolha definidora das lideranças do presidir e do governar. O futuro querendo
se avizinhar um tanto tímido e vergonhado, desejoso de ser ouvido num papo bom.
Davia, o jornalista planta pés à frente com cabeça e olhos girados atrás, como um Curupira às avessas.
Se vai abordar candidato, já busca logo a manchete. Vai reduzir ministérios? Quantos e quais? Mas então Fulano de Queirós é incompetente? E o caso Ciclano Garcia? Não sabia? É picareta ou inapetente? Usa entorpecentes? Nunca? Vai controlar inflação? Ou vai sustentar emprego e salário? Mas assim vossa senhoria põe em risco a estabilidade. Mas assado vossa senhoria arrocha mesa, cama e banho dos trabalhadores.
Junho de 13 foi havido e vivido como cena política monumental. As pautas estruturosas do bem estar residem ali. Cadê jornalistas a ligar alvo e seta?
A conceber por estes jornaleiros, o país não é afinal tão portador assim das coisas importantíssimas.
O Futuro anda se sentindo tão excluído
do papo que flertou enamorado, na mesa ao lado, com o Não-Ser.