terça-feira, 18 de julho de 2017

justiça seja (re)feita

por Cuca Linhares

Em trem desgovernado. No assim, a cada passo de dia novo a gente se vê um cado mais atolado na desalentosa lama. Esse um país continua em caimento de abismo.

Todos sabemos que a nossa república nunca fez mesmo feitio de nossa e nem de república. Mas houve o tempo em que a gente viajava no devagar das algumas poucas conquistas; no trilho curvado da firmeza institucional. Dava ao menos pra acreditar no voto. No agá do hoje, as vidas das instituições todas seguem gritando dores da implosão rápida e sem hora de cura. O risco é o arrasamento de terra sem sobrar nada nem ninguém. Nem não tem um só poder ou poderoso em assento confortoso de salvação pra juntar os cacos.

Executivo e legislativo já têm fachada pichada e tudo quanto é vidraça no miúdo do estilhaço. Os caminhos da política passaram a ser desenho em lápis de juiz. Digam se não é esse o golpe maior de todos: a política pautada por uma turma de iluminados sem voto. Ainda vamos descobrir que o Judiciário é o poder mais fechado e antidemocrático de todos. E não menos corrupto.

Como se fosse pouco o todo de seus privilégios, os sujeitosos juízes fazem o que bem entendem e não ilustram o mínimo de compromisso com o país. E não tem um nada que os controle.

Vou ficar num só exemplo que se veste duplo.

O caboclo Moro condenou Lula por corrupção no caso do triplex. O saco de provas não tem lá muita força pra sustentar a convicção. A sentença fez morada na controvérsia. (Inda mais se a gente pousa olho em Brasilia e vê a quadrilha que tomou o poder de assalto tramando à luz do dia as tretas todas sem caneta de juiz pra assinar incômodo). Nenhum outro país que se chama decente coloca juiz que fala o tempo todo fora dos autos e pede ajuda da mídia pra julgar caso dessa toda importância. Mas assim foi. A condenação já tava desde o início desenhada no pauerpointe.

No óbvio, a defesa de Lula vai botar recurso na segunda instância. Aqui mora o nervo central de todo o destino político do Brasil. Lula continua no topo das intenções de voto. Mas não poderá se apresentar candidato se a segunda instância mantiver a convicção de Deltan e Moro. De conseguinte, os três caboclos da segunda instância têm na mão a mais importante decisão do quadro político atual.

Aí eu boto pergunta: que deveriam fazer esses três caboclos? E boto resposta: furar a fila para julgar o processo do Lula no mais curto dos prazos que se chama possível. Só no assim o país pode ganhar resposta rápida para organizar pensamento e ação. Davia, o tribunal regional federal é dono do tempo e senhor dos destinos. Vai levar um ano para julgar o caso. No meio desse cinza de nenhum enxergamento do futuro, a gente vai ficar deitado no imprevisível até a boca das eleições no ano que vem.

Justiça seja feita. Ou melhor, refeita talhada pra ser justa e dar um mínimo de segurança. Porque assim não dá.

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