quinta-feira, 8 de junho de 2017

duas ilhas, um país, saída nenhuma

por Cuca Linhares

É bem no assim. Já completam uns três anos que deitei essa escrita: “país dividido e sem crítica é das piores lascaduras”. Pois cá estamos, atolados no mesmo sem jeito.

Nem o óbvio acha rumo de consenso. No agá do hoje, esse um nosso país é arquipélago de duas ilhas. Nem não tem ponte, grito ou fibra ótica que faça uma ilha se comunicar com a outra. Uma ilha leste vestiu amarelo para ajudar a dar o tombo na Dilma e logo recolheu seu moralismo junto com as panelas no armário. Os caboclos da ilha oeste fizeram esperneio contra o golpe, mas no agora, consumado o golpe, gritam mudos uns rechitéguis e assistem a tudo na poltrona da inação.

O cheiro podre exala em tudo que é canto, só que a tevê só mostra o conveniente. E nesse um nosso Brasil de elite pobre de espírito, não costuma ter movimento que não seja manejado no controle remoto da tevê.

Fato sem questão é que, desde que inventado o impítimam sem crime, o comando de um tudo foi entregue para os lambedores de beiços de sempre. Tudo empurrado em ladeira de piora. Agora tá todo mundo vendo a maré de lama subir e botar o pescoço das gentes todas no perigo do afundamento.

Economia levou tombo machucoso e não faz jeito de levantar. Só mesmo caboclo sentado na ignorância ou na má fé para achar que deitar no lixo a escolha do povo vai trazer alguma confiança de volta. A urna é coração e pulmão da democracia estável. Sem urna cheia de votos, não tem instituição que aguente vida.

O decorativo tornado oficial anda cambaleoso em corda bamba pra cair. Davia, na sala da política profissional, num salva um sujeitoso vestido em credibilidade para inspirar transição carregada no normal.

E no assim seguimos ilhados pelo inviável da conversa.

Vemos alegrosos um bocado de picareta em apuros (o caso do indigníssimo senador suspenso Aecio merece um texto à parte), mas nenhum sinal da mudança necessária.

A solução mais fácil era botar o povo. Num grande acordo nacional. Com petralha, coxinha, com tudo. Eleição geral e direta. Com resultado aceito por todos.

No seguinte, reforma política para reduzir os partidos a menos de uma dezena e limitação radical do dinheiro privado nas campanhas. Regulação da mídia porque não existe democracia plantada em cima de pensamento único invadindo cem por cento das casas. Aí a gente ajeitava de começar a refazer país.

Mas lamentoso eu sei que tudo isso é sonho. Brasil num é dado a essas coisas. Vamos decidir nas coxias. Somos o lugar da democracia sem povo. Até quando?

Vale uma cachaça e um torresmo pra quem criar jeito de sair dessa sinuca de bico.

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