Em trem desgovernado. No assim, a
cada passo de dia novo a gente se vê um cado mais atolado na desalentosa lama. Esse
um país continua em caimento de abismo.
Todos sabemos que a nossa
república nunca fez mesmo feitio de nossa e nem de república. Mas houve o tempo
em que a gente viajava no devagar das algumas poucas conquistas; no trilho
curvado da firmeza institucional. Dava ao menos pra acreditar no voto. No agá
do hoje, as vidas das instituições todas seguem gritando dores da implosão
rápida e sem hora de cura. O risco é o arrasamento de terra sem sobrar nada nem
ninguém. Nem não tem um só poder ou poderoso em assento confortoso de salvação
pra juntar os cacos.
Executivo e legislativo já têm
fachada pichada e tudo quanto é vidraça no miúdo do estilhaço. Os caminhos da
política passaram a ser desenho em lápis de juiz. Digam se não é esse o golpe
maior de todos: a política pautada por uma turma de iluminados sem voto. Ainda
vamos descobrir que o Judiciário é o poder mais fechado e antidemocrático de
todos. E não menos corrupto.
Como se fosse pouco o todo de
seus privilégios, os sujeitosos juízes fazem o que bem entendem e não ilustram
o mínimo de compromisso com o país. E não tem um nada que os controle.
Vou ficar num só exemplo que se
veste duplo.
O caboclo Moro condenou Lula por
corrupção no caso do triplex. O saco de provas não tem lá muita força pra
sustentar a convicção. A sentença fez morada na controvérsia. (Inda mais se a gente
pousa olho em Brasilia e vê a quadrilha que tomou o poder de assalto tramando à
luz do dia as tretas todas sem caneta de juiz pra assinar incômodo). Nenhum
outro país que se chama decente coloca juiz que fala o tempo todo fora dos
autos e pede ajuda da mídia pra julgar caso dessa toda importância. Mas assim
foi. A condenação já tava desde o início desenhada no pauerpointe.
No óbvio, a defesa de Lula vai
botar recurso na segunda instância. Aqui mora o nervo central de todo o destino
político do Brasil. Lula continua no topo das intenções de voto. Mas não poderá
se apresentar candidato se a segunda instância mantiver a convicção de Deltan e
Moro. De conseguinte, os três caboclos da segunda instância têm na mão a mais
importante decisão do quadro político atual.
Aí eu boto pergunta: que deveriam
fazer esses três caboclos? E boto resposta: furar a fila para julgar o processo
do Lula no mais curto dos prazos que se chama possível. Só no assim o país pode
ganhar resposta rápida para organizar pensamento e ação. Davia, o tribunal
regional federal é dono do tempo e senhor dos destinos. Vai levar um ano para
julgar o caso. No meio desse cinza de nenhum enxergamento do futuro, a gente
vai ficar deitado no imprevisível até a boca das eleições no ano que vem.