por Cuca Linhares
É bem no assim. Já completam uns três anos que deitei essa escrita: “país dividido e sem crítica é das piores lascaduras”. Pois cá estamos, atolados no mesmo sem jeito.
É bem no assim. Já completam uns três anos que deitei essa escrita: “país dividido e sem crítica é das piores lascaduras”. Pois cá estamos, atolados no mesmo sem jeito.
Nem o óbvio acha rumo de
consenso. No agá do hoje, esse um nosso país é arquipélago de duas ilhas. Nem
não tem ponte, grito ou fibra ótica que faça uma ilha se comunicar com a outra.
Uma ilha leste vestiu amarelo para ajudar a dar o tombo na Dilma e logo
recolheu seu moralismo junto com as panelas no armário. Os caboclos da ilha oeste
fizeram esperneio contra o golpe, mas no agora, consumado o golpe, gritam mudos
uns rechitéguis e assistem a tudo na poltrona da inação.
O cheiro podre exala em tudo que
é canto, só que a tevê só mostra o conveniente. E nesse um nosso Brasil de
elite pobre de espírito, não costuma ter movimento que não seja manejado no
controle remoto da tevê.
Fato sem questão é que, desde que inventado o impítimam sem crime, o comando
de um tudo foi entregue para os lambedores de beiços de sempre. Tudo empurrado em ladeira de piora. Agora tá todo
mundo vendo a maré de lama subir e botar o pescoço das gentes todas no perigo
do afundamento.
Economia levou tombo machucoso e não
faz jeito de levantar. Só mesmo caboclo sentado na ignorância ou na má fé para achar
que deitar no lixo a escolha do povo vai trazer alguma confiança de volta. A urna é coração e pulmão da democracia estável. Sem urna cheia de votos, não tem instituição que aguente vida.
O decorativo tornado oficial anda cambaleoso em corda bamba
pra cair. Davia, na sala da política profissional, num salva um sujeitoso vestido em
credibilidade para inspirar transição carregada no normal.
E no assim seguimos ilhados pelo
inviável da conversa.
Vemos alegrosos um bocado de picareta em apuros (o caso do indigníssimo senador suspenso Aecio merece um texto à parte), mas nenhum sinal da mudança necessária.
A solução mais fácil era botar o
povo. Num grande acordo nacional. Com petralha, coxinha, com tudo. Eleição geral
e direta. Com resultado aceito por todos.
No seguinte, reforma política para
reduzir os partidos a menos de uma dezena e limitação radical do dinheiro
privado nas campanhas. Regulação da mídia porque não existe democracia plantada
em cima de pensamento único invadindo cem por cento das casas. Aí a gente
ajeitava de começar a refazer país.
Mas lamentoso eu sei que tudo
isso é sonho. Brasil num é dado a essas coisas. Vamos decidir nas coxias. Somos
o lugar da democracia sem povo. Até quando?