por Celso Fernandes Ribeiro
Como mal digo e bem repito:
Brasil morada dos absurdos. De um novo me pega a angustiosa
perplexidade. A gente tenta bocado não defender esse um governo, mas a turma da
oposição não deixa. Cá em nossas bandas, o torto se faz aparecer direitoso,
enquanto o certo se acua no medo cúmplice da politicagem feiosa.
No palco da política
profissional, três atores encenam protagonudos o roteiro do golpe que quer de
todo um jeito tirar a presidenta de seu posto e jogar o país no caos social e
político que é tapete onde querem pisar os lambedores de beiços de sempre.
Aécio é nosso personagem número
um. Senador há cinco anos sem qualquer serviço prestado em sua estada no
Congresso. Nenhuma realização como senador. Corrupto sabido, é marcado pelas
ausências no trabalho e as centenas de viagens semanais para o Rio de Janeiro,
seja em jatos oficiais do governo das minhas minas gerais, seja em voos pagos
pelo senado federal. É capaz, contudo, de plantar sorriso na dureza crua da cara
de pau para detonar críticas à competência e à honra da presidenta eleita. Considera-se
um predestinado a líder nacional. Pensa-se portador de algum direito divino,
pois acha agora que eleição é questão menor. Quer ser presidente a todo custo e ao arrepio da democracia. Não restou destino outro: virou chacota em redes sociais. Basta um treinador de futebol sofrer
ameaça de demissão para colocarem Aécio em disposição para assumir o posto.
Perdeu o campeonato, mas quer levar no tapetão.
Manobrista supremo do tapetão é
o senhor Eduardo Cunha, nosso segundo personagem. Presidente da casa legislativa, ganhou notoriedade pela
habilidade típica dos donos da bola para votar e revotar matérias até obter o
resultado pretendido. Taí sujeitoso que não aceita de um nenhum jeito o revés.
Quando caboclo ingênuo acha que acabou o jogo, lá vem Cunha a sacar regras
novas do bolso, a estipular prorrogações extras e disputas por pênaltis. Todo
mundo sabe que ele é pé de valsa nas pistas de tretosas danças desde décadas
atrás. Na cumeeira da arrogância, falou demais e deu bom dia pro cavalo. Foi
pego na mentira com contas cheias de dinheiro sujo na Suiça e agora corre o risco de tombar. Fato é que o sujeitoso
presidente da Câmara maquina o golpe junto com o ninho tucano e seus tentáculos
que alcançam mídia, esseteéfe ou teceú.
Justo em cadeira ministrosa de
teceú que se assenta o personagem terceiro. Até ontem, Augusto Nardes sentava a
confortosa poltrona do semianonimato, mas resolveu se levantar altoso na
oportunidade de “fazer história”. Ornou o jargão tucano das pedaladas para
burilar a tese da reprovação das contas da presidenta e inventar ali um crime
de responsabilidade.
Antes de mais nada, coisa tão
importante como desconhecida é a configuração do teceú. Há quem pense, e não gente
pouca, que se trata de turma vestida na neutralidade, obediente ao rigor técnico
buscador da verdade, encabeçada por sujeitosos de notório saber admitidos por
concurso público. Davia, a verdade mesmo é que o órgão flerta com institutos
monárquicos muito pouco modernos e democráticos. Seus chefes são ex-políticos
profissionais, partidários, que ganham de brinde cargo vitalício. E a verdade
outra, em ainda mais doída e pouco disseminada, é que a chefatura atual do
teceú conta com meia dúzia de caboclos manejosos da picareta em tretas muitas,
enrolados em casos de corrupção. Pois são esses mesmos que estão cozinhando o
caldo indigesto da deposição despropositada da presidenta.
Aí vem essa tal de pedalada. A
mídia grande, pronta porta voz da oposição, naturalizou o golpe. Desinforma leitores e
telespectadores que são obrigados a engolir sem mastigar essa ideia da pedalada.
Pouca gente sabe bem do que se trata. Pouca gente sabe que é expediente administrativo
usado e desabusado desde que mundo é mundo e que só um embaçamento muito
grandoso e mal intencionado da realidade pode caracterizar pedalada como crime. Como é hábito da mídia criar verdades por repetição, vale repetir: não há nada, absolutamente-nada-novesfora-zero,
que caracterize crime. Nem não há razão qualquer para impedimento. Tentam de
todo um jeito pegar a presidenta na botija, mas o que ela não tem de traquejo
político, sobra de honradez. Nunca a pegarão desse um jeito.