sábado, 23 de maio de 2015

na disciplina e na raça, Cruzeiro bate o River

por Edu Praça

Libertadores é raça. Em depois de meses fora das resenhas, não fiz cabimento deixar de rabiscar na história escrita essas mais recentes páginas heroicas. No todo futebol das batalhas épicas, meu Cruzeiro calçou a cara da emoção feito há muito não vínhamos, víamos e vencíamos.

As oitavas de final foram coisa de São Paulo contra São Fabio. E as milagragens do arqueiro maior de todos garantiram duplamente a classificação: primeiro evitou uma goleada saopaulina que se ensaiou no Morumbi ante um bando azul acuado e apático. Trouxemos com muito lucro o um a zero do placar adverso e, em casa, devolvemos na pressão a justeza do placar mínimo para resolver a pendenga nas cobranças de pênaltis. São Fabio catou duas para carimbar as passagens para as quartas de final em Buenos Aires, frente ao River Plate.

Nesta quinta foi jogo de livro. Monumental estádio cheio nas cores e cantorias. Argentinos sabem demais da conta esse ofício de fazer torcida. Davia, o Cruzeiro fez visita inconveniente ao River.

O time azul se portou firmoso na obediência concentrada própria dos soldados em batalha. Jogo pegado na dureza quase violenta da lealdade. Defesa alinhada na segurança compacta para o perigo não fazer morada. Longe de feio, o jogo construiu boas tramas e os sustos pegaram todas as cores de torcidas. As investidas mais agudas eram do time azul. Teve no certame as chances melhores.

O esquadrão azul marcou em cima desde os primeiros minutos, na toada do roubo de bola para botar contrataque na caixa. Sem as brilhosidades nenhumas do improviso, consciente das suas limitações todas, o time não inventou jogo de moda. Segurou em força de disciplina os ímpetos do adversário.

De Arrascaeta, que veste em sua camisa dez a esperança do inusitado, não mostrava o que sabe. O maestro Marcelo Oliveira abriu então o palco para Gabriel Xavier. Pisou o campo para amolar o lado esquerdo e abrir os caminhos do gol.

Em lance despretensioso, Xavier explorava a ponta canhota e ganhou cobrança de lateral. Naquela altura de dificuldade do embate, o empate em zero a zero até já se mostrava na justeza das expectativas de ambas as equipes. Mas com as mãos Mena lançou um balão à área. No rebate-bate o defensor do River zagueirou um balão ainda mais alto. Damião firmou em disputa e conseguiu quase sem querer achar Xavier na linha de tiro. O chute sem jeito encontrou esbarramento no goleiro Barovero e sobrou em Marquinhos na calma para encontrar a rede.

O time azul das cinco estrelas escreveu mais uma página histórica. Bater o River em casa é feito para poucos ou nenhuns. Vitória daquelas para lembrar toda e sempre. Quando ausentam o talento e a graça, nada mal encontrar beleza na disciplina e na raça. 

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