Libertadores é raça. Em depois de
meses fora das resenhas, não fiz cabimento deixar de rabiscar na história
escrita essas mais recentes páginas heroicas. No todo futebol das batalhas
épicas, meu Cruzeiro calçou a cara da emoção feito há muito não vínhamos,
víamos e vencíamos.
As oitavas de final foram coisa
de São Paulo contra São Fabio. E as milagragens do arqueiro maior de todos
garantiram duplamente a classificação: primeiro evitou uma goleada saopaulina
que se ensaiou no Morumbi ante um bando azul acuado e apático. Trouxemos com
muito lucro o um a zero do placar adverso e, em casa, devolvemos na pressão a
justeza do placar mínimo para resolver a pendenga nas cobranças de pênaltis.
São Fabio catou duas para carimbar as passagens para as quartas de final em
Buenos Aires, frente ao River Plate.
Nesta quinta foi jogo de livro. Monumental
estádio cheio nas cores e cantorias. Argentinos sabem demais da conta esse
ofício de fazer torcida. Davia, o Cruzeiro fez visita inconveniente ao River.
O time azul se portou firmoso na
obediência concentrada própria dos soldados em batalha. Jogo pegado na dureza
quase violenta da lealdade. Defesa alinhada na segurança compacta para o perigo
não fazer morada. Longe de feio, o jogo construiu boas tramas e os sustos
pegaram todas as cores de torcidas. As investidas mais agudas eram do time
azul. Teve no certame as chances melhores.
O esquadrão azul marcou em cima
desde os primeiros minutos, na toada do roubo de bola para botar contrataque na
caixa. Sem as brilhosidades nenhumas do improviso, consciente das suas
limitações todas, o time não inventou jogo de moda. Segurou em força de
disciplina os ímpetos do adversário.
De Arrascaeta, que veste em sua
camisa dez a esperança do inusitado, não mostrava o que sabe. O maestro Marcelo
Oliveira abriu então o palco para Gabriel Xavier. Pisou o campo para amolar o
lado esquerdo e abrir os caminhos do gol.
Em lance despretensioso, Xavier
explorava a ponta canhota e ganhou cobrança de lateral. Naquela altura de
dificuldade do embate, o empate em zero a zero até já se mostrava na justeza
das expectativas de ambas as equipes. Mas com as mãos Mena lançou um balão à
área. No rebate-bate o defensor do River zagueirou um balão ainda mais alto.
Damião firmou em disputa e conseguiu quase sem querer achar Xavier na linha de
tiro. O chute sem jeito encontrou esbarramento no goleiro Barovero e sobrou em
Marquinhos na calma para encontrar a rede.
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