quarta-feira, 27 de maio de 2015

River dá uma aula acachapante

por Edu Praça


No cume da decepção em língua seca e garganta fechada no nó. O preparo todo foi no ornamento da festa. Cinquenta mil gentes no Mineirão em sereno puro da celebração. Certeza absoluta do Cruzeiro na semifinal da Libertadores. Davia futebol é coisa que não perdoa as certezas. E o chope não deu outra que se tornar em água.

Jogo de corpo presente. Time azul em campo não era o mesmo da semana passada. Energia nenhuma no debaixo da camisa. Diria até que vergonha nenhuma no suor pequeno a escorrer na cara.

Cruzeiro disforme na moleza pura. River mostrou que entende mais do riscado. Conhecem melhor as estratégias, os atalhos e macetes da brincadeira.

E assim manda o castigo desse esporte. Repente, o feito épico da semana passada se ajoelha ao esquecimento de um esse jogo adverso. Parecia a Copa da turma do Felipão frente à Alemanha. Nem não dá pra fazer destaque negativo. Ninguém vestiu azul para pisar o gramado pensando em jogo de bola. Tem algo de coisa errada nesse jeito dos jogadores perceberem sua profissão.

River deu aula. Fez três tentos na base dos golaços e poderia ter feito mais um ou outro na toada da humilhação. Futebol jogado.

Torcida celeste pagou caro e merecia o mínimo do engajamento dos seus representantes. Difícil engolir o amargo do enredo desfilado no Mineirão.

Hoje é dia de amanhã. Bola pra frente. Acreditar que essa tristeza toda não é mais que esporte. E sempre haverá uma semana que vem para oferecer a oportunidade da redenção.

sábado, 23 de maio de 2015

na disciplina e na raça, Cruzeiro bate o River

por Edu Praça

Libertadores é raça. Em depois de meses fora das resenhas, não fiz cabimento deixar de rabiscar na história escrita essas mais recentes páginas heroicas. No todo futebol das batalhas épicas, meu Cruzeiro calçou a cara da emoção feito há muito não vínhamos, víamos e vencíamos.

As oitavas de final foram coisa de São Paulo contra São Fabio. E as milagragens do arqueiro maior de todos garantiram duplamente a classificação: primeiro evitou uma goleada saopaulina que se ensaiou no Morumbi ante um bando azul acuado e apático. Trouxemos com muito lucro o um a zero do placar adverso e, em casa, devolvemos na pressão a justeza do placar mínimo para resolver a pendenga nas cobranças de pênaltis. São Fabio catou duas para carimbar as passagens para as quartas de final em Buenos Aires, frente ao River Plate.

Nesta quinta foi jogo de livro. Monumental estádio cheio nas cores e cantorias. Argentinos sabem demais da conta esse ofício de fazer torcida. Davia, o Cruzeiro fez visita inconveniente ao River.

O time azul se portou firmoso na obediência concentrada própria dos soldados em batalha. Jogo pegado na dureza quase violenta da lealdade. Defesa alinhada na segurança compacta para o perigo não fazer morada. Longe de feio, o jogo construiu boas tramas e os sustos pegaram todas as cores de torcidas. As investidas mais agudas eram do time azul. Teve no certame as chances melhores.

O esquadrão azul marcou em cima desde os primeiros minutos, na toada do roubo de bola para botar contrataque na caixa. Sem as brilhosidades nenhumas do improviso, consciente das suas limitações todas, o time não inventou jogo de moda. Segurou em força de disciplina os ímpetos do adversário.

De Arrascaeta, que veste em sua camisa dez a esperança do inusitado, não mostrava o que sabe. O maestro Marcelo Oliveira abriu então o palco para Gabriel Xavier. Pisou o campo para amolar o lado esquerdo e abrir os caminhos do gol.

Em lance despretensioso, Xavier explorava a ponta canhota e ganhou cobrança de lateral. Naquela altura de dificuldade do embate, o empate em zero a zero até já se mostrava na justeza das expectativas de ambas as equipes. Mas com as mãos Mena lançou um balão à área. No rebate-bate o defensor do River zagueirou um balão ainda mais alto. Damião firmou em disputa e conseguiu quase sem querer achar Xavier na linha de tiro. O chute sem jeito encontrou esbarramento no goleiro Barovero e sobrou em Marquinhos na calma para encontrar a rede.

O time azul das cinco estrelas escreveu mais uma página histórica. Bater o River em casa é feito para poucos ou nenhuns. Vitória daquelas para lembrar toda e sempre. Quando ausentam o talento e a graça, nada mal encontrar beleza na disciplina e na raça.