No cume da decepção em língua
seca e garganta fechada no nó. O preparo todo foi no ornamento da festa.
Cinquenta mil gentes no Mineirão em sereno puro da celebração. Certeza absoluta
do Cruzeiro na semifinal da Libertadores. Davia futebol é coisa que não perdoa
as certezas. E o chope não deu outra que se tornar em água.
Jogo de corpo presente. Time azul
em campo não era o mesmo da semana passada. Energia nenhuma no debaixo da
camisa. Diria até que vergonha nenhuma no suor pequeno a escorrer na cara.
Cruzeiro disforme na moleza pura.
River mostrou que entende mais do riscado. Conhecem melhor as estratégias, os
atalhos e macetes da brincadeira.
E assim manda o castigo desse
esporte. Repente, o feito épico da semana passada se ajoelha ao esquecimento de
um esse jogo adverso. Parecia a Copa da turma do Felipão frente à Alemanha. Nem
não dá pra fazer destaque negativo. Ninguém vestiu azul para pisar o gramado
pensando em jogo de bola. Tem algo de coisa errada nesse jeito dos jogadores
perceberem sua profissão.
River deu aula. Fez três tentos
na base dos golaços e poderia ter feito mais um ou outro na toada da
humilhação. Futebol jogado.
Torcida celeste pagou caro e
merecia o mínimo do engajamento dos seus representantes. Difícil engolir o
amargo do enredo desfilado no Mineirão.
Hoje é dia de amanhã. Bola pra frente. Acreditar
que essa tristeza toda não é mais que esporte. E sempre haverá uma semana que
vem para oferecer a oportunidade da redenção.