Bem melhor. Se não nós, dada a induvidosa
fragilidade humana capaz de cair num qualquer atravessamento de rua ou apertamento
de peito, que sejam então os caboclos pequenos em filhos e netos. De um fato é
que precisamos ter capacidade de pensar longe.
No agá do hoje, não temos. Parece
que só o a do agora rende importância. Fazemos só o pouco e o pequeno. O curtoprazismo
é o mal grande do viver contemporâneo. Cá no meu achismo, esse um tal
curtoprazismo é a ideologia pura do sistema em que nada é feito pra durar, nem a
firmeza de um pensamento. O que é sólido desmancha em tevê e papel jornal.
A velha mídia velhaca faz de um tudo para vender conjuntura como se fosse estrutura. Confusão da toda.
Faz propaganda das bugingangas
todas que nos cercam e mobilizam e se mandam trocar de tempo em tempo.
Aparelhos, roupa, carro ou a foto da rede social, tudo quer mudar de um novo a
toda hora. Gira é assim a roda da economia.
Falta é dizer onde queremos
chegar como gente humana.
Se pulo pra esfera de uma
sociedade-país, então faz hora de perguntar se temos projeto de longo prazo. O
que queremos ser quando crescer? Ora, o destino de um país não há de caber em
planilha de orçamento anual.
Peguemos no exemplo da política econômica. Ouço aqui e ali toda hora essa
conversa do ajuste fiscal. Olhem se sou bobo demais: a turma do dinheirame
ficou no casco da tensão questionando a austeridade do governo na administração
da sua dívida ano passado. O governo botou a conta no vermelho, usou o cheque
especial e nessa hora evocam a máxima da economia doméstica onde só se gasta o
que se ganha.
A mídia bombardeou o mantra do
governo perdulário e veio de pronto a tesoura do Levyatã para podar geral e
plantar o desfolhoso jardim amarelo da recessão. Todos sabemos quem vai pagar essa
conta.
Ora, esse pessoal faltou à aula básica
que ensinou que, quando se trata de país, dívida é sinônimo de soberania. Faz
preciso administrar o pendura conforme os interesses do povo inteiro e não de
meia dúzia de financistas que se alimentam à base de recessão.
Ao contrário do que dizem, a
dívida líquida do meu e nosso Brasil vai muito bem, obrigado. Mora em conforto
ali na casa dos trinta e poucos por cento do PIB. Mas pois é: inventaram agora
que a referência deve ser a dívida bruta, que soma todo e qualquer débito do
Estado, mesmo se for um empréstimo que será devolvido com prazo estabelecido e,
portanto, sem efeito líquido.
Gente precisa então perguntar é
para quê um país faz dívida.
No Brasil recente, a dívida bruta
cresceu para compor reservas em dólar e para injetar grana nos bancos públicos
com dois objetivos: i) estimular a economia via investimentos de longo prazo e
a manutenção do nível de emprego; ii) forçar concorrência para a queda dos
juros cobrados pelos bancos privados.
Ambos os objetivos viram êxito,
em maior ou menor grau.
Mas a mídia, sempre ela, é quem pauta do debate político e econômico no Brasil. A preocupação recorrente é dupla: vender mais jornal amanhã cedo e propagar a ideologia dos lambedores de beiços de sempre. Desse um jeito, fica parecendo que nosso grande projeto de nação é fazer o ajuste fiscal. A pauta midiática aprisiona.
Mas a mídia, sempre ela, é quem pauta do debate político e econômico no Brasil. A preocupação recorrente é dupla: vender mais jornal amanhã cedo e propagar a ideologia dos lambedores de beiços de sempre. Desse um jeito, fica parecendo que nosso grande projeto de nação é fazer o ajuste fiscal. A pauta midiática aprisiona.
Retomemos o fio: não se faz
desenvolvimento sem visão de longo prazo. Desenvolvimento não caminha em sapato
de conjuntura. Desenvolvimento é estrutura. Luneta para a visão míope vendida
na mídia velhaca. O sistema nem não deve operar pela lógica do maior lucro
amanhã, que distorce o propósito da construção do bem estar lá na frente. Mas a pauta midiática nos aprisiona ao diabo do curto prazo.
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