Vez ou outra vem caboclo indagoso
querendo saber quando o trem da economia nacional vai engatar de um novo em
trilhos de prosperidade. Minha resposta sempre encontra um interlocutor estranhoso
em olhos semicerrados ou mesmo risudo na meia boca do deboche. Pois digo: economia
é a engenharia humana do amor e do humor. Quando falta amor e humor, a
depressão é destino certo.
Verdade contradita: na origem dos
calos econômicos raramente se encontram sapatos estritamente econômicos. Nosso
um país vive crise política marcada pelo inconformismo dos derrotados nas urnas.
São os donos do bumbo e do trombone que lançam seus tentáculos na mídia para
praticar ódio cotidianamente em telas de tevê e folhas de jornal.
No agá do hoje, ninguém enfia
notícia boa na cabeça. Todo o corpo de gentes coreografado na dança do
pessimismo. Se assim é, nem não adianta: não há um dono de dinheiros que vai
empregar cifrões em investimento. Pelo contrário, essa uma turma vai se
encontrar preocuposa nos clubes de cavalos ou nos mais finos salões para lamentar
o ambiente de incertezas, o caos na gestão da coisa pública e a pesadíssima
carga de impostos. Ali entre vinhos e canapés, duvidarão se o ministro Levy
será capaz de levar a efeito um pacote de austeridade. Mas ajudando o sujeitoso
ministro em sua tarefa, não podem decidir outra coisa: podar a produção e
dispensar pobres diabos de seus postos de trabalho. Os salários, afinal de
contas, estão altos demais da conta e o trem fora dos trilhos exige aperto de
cintos.
Dinamismo econômico requer
carisma e bom papo para seduzir o espírito animal dos dinheiros capitais. Economia
é a arte de plantar amor e humor para colher emprego e renda. Esse um governo
da dona Dilma não se mostra capaz de aplacar o ódio e o mau humor. É governo
sisudo e de carranca fechada. Não conta piada, não assume seus erros. Não
fabrica a leveza e os sorrisos se fecham em lábios bicudos.
Situação complicosa. Meus
leitores poucos e bons sabem que os donos dos dinheiros capitais no Brasil são
poucos e nem tão bons. Ou os donos do pibe estão atolados na lama da corrupção,
ou estão embarcados na nau antigovernista que convence a nação de que essa mesma corrupção é mal recente e solúvel pela troca simples do governante de plantão. Entre
os grandes fazedores de pibe, é só raiva no coração. Já não tiram de nenhum
jeito o escorpião do bolso.