domingo, 23 de agosto de 2015

rei Baixastral e o império da exceção

por Celso Fernandes Ribeiro

Contra tudo. Contra tudo o que opera no regime sorrisudo do bom; contra toda voz despejada na alegria do tom propositivo; contra todo olhar brilhoso que ousa enxergar por cima das nuvens cinzas um fio de luz solar para amarrar uma agenda positiva. Contra tudo, sempre haverá o Baixastral.

Baixastral é aquele sujeitoso que vive em peso de pedras nos bolsos ao alcance das mãos. Sempre tem uma para tacar nos adversários que ele mesmo inventa para si.

Nessas cruzadas de pedra, Baixastral conquistou o terreno da vida brasileira. Gritou alto em força de autoridade para fundar seu grande império, nomeado o Império da Exceção.

Fincou bandeira e fez domínio.

Os gritos de ordem do Imperador ecoam em jornalões e grandes tevês, implantando verdades na cabeça de todas as gentes. Tudo que é exceção se veste em máscara de regra. E assim foi e é.

Quando o tal BolsaFamília fez ensaio de excluir do cardápio nacional a tragédia indignosa da fome, lá foram os soldados do Baixastral trazer em contraponto uma meia dúzia de vagabundos que preferem a escolha do atoísmo por uma ou duas centenas de reais. Como se fosse regra.

Quando assistência médica básica chegou em visita pras gentes que nunca viram um estetoscópio em vida, de um pronto as corporações imperiais pescaram aqui e acolá uns caboclos cubanos com dificuldades no trato com a língua portuguesa para vender a verdade da impertinente contratação de médicos estrangeiros. Como se fosse regra.

Como não colou essa teoria da incompetência cubana e tampouco a simples e tosca hostilização, repentino o Baixastral se apiedou da condição de trabalho dos pobres cubanos, descritos de hora para outra como vítimas. Escravos de um regime de terror comunista. De um novo, sem cola. Povo nosso sem saúde num é bobo nem nada. Imaginem agora com alguma saúde. Alegrosos da vida a celebrar seus doutores.

Davia, o Baixastral não deita descanso. Se tem petê no meio, tem manchete sempre negativa em telas e papeis.

Quando São Paulo ensaiou medidas de tardia vanguarda para trazer cidade em rumo de civilização, lá vieram as pedras do exército do Baixastral. Primeiro ciclovias e corredores de ônibus a contestar a hegemonia anti-civilizatória dos carros. Os jornalões insistiam na tese da invencionice, segundo a qual corredor de ônibus é desperdício de espaço e as vermelhas ciclovias não seriam senão propaganda da esquerdice do prefeito. E lá vieram fotos de corredores vazios e mal traçadas ciclofaixas. Como se fossem regra.

Agora o prefeitoso tranquilão inventou abrir a Avenida Paulista ao lazer da população nos domingos. E lá vieram os diários do Baixastral trazer mosquito pro piquenique. Foram criativos a ponto de afirmar especulosas dificuldades para o bom funcionamento dos hospitais da região. Quando consultados, os hospitais negaram qualquer interferência negativa do convescote urbano. Segue o jogo.

Mas o um fato tristudo é que Baixastral, o Grande, segue abusado em conquista de amplos e maiores territórios na arquitetura do golpe. Pois eu em um meu canto, ando firmoso na peleja de um golpe que leve esse Baixastral para a guilhotina. Cá no meu achismo, esse é o golpe legítimo que deve alimentar em força nossa descontentosa ação. Fora, Baixastral. Leve contigo esse um seu jornalismo.