É o que sempre brado no dizer: na
esfera do futebol, incompetência dos dirigentes não encontra cerca de limites.
Por mais que a realidade produza as evidências todas pro caminhar em contrário,
os sujeitosos cartolas continuam repisando os erros mesmos de sempre.
Assim foi. A diretoria celeste
demitiu o treinador Marcelo Oliveira.
Em dois anos e mais metade, Marcelo
foi o maestro que emprestou o talento de sua afinação para o time azul
encontrar compasso de jogar por música. Assim papamos na gulodice os
campeonatos brasileiros de treze e de catorze.
Este quinze era ano para
reformulação. Meio time foi mexido no desmonte e o material novo colocado à
disposição do Marcelo não mostrou liga de regularidade. Até chegou a apresentar
disciplina para bons jogos e, na Libertadores, quando a coisa ensaiava ficar
bonita, veio a traulitada da desclassificação em Mineirão pleno das gentes de
azul. Nada além de futebol.
Mas o fracasso da empreitada não
soava dúvidas quanto à notória competência do treinador. Aí vem a Diretoria
fazer média pequena para demonstrar seu algum falso ativismo: demite o maestro
da orquestra em atitude sem qualquer flerte com o bom senso. Não foi outra
coisa que imbecilidade travestida de solução.
Bom senso era marca que Marcelo
sempre estampou na face e na fala. Caboclo vestido na simplicidade. Craque
firmoso na inteligência. Compromisso todo com o jogo jogado em toque redondo de
bola. Sujeitoso daqueles fora da série. Tipo da gente que anda escasso achar em
qualquer canto ou ofício. Nem nenhuma sanha elogiosa de parágrafo inteiro dará
conta da boniteza desse caráter.
O torcedor cruzeirense vai sentir
essa falta demais da conta.