quarta-feira, 3 de junho de 2015

demissão do Marcelo Oliveira: imbecilidade travestida de solução

por Cuca Linhares


É o que sempre brado no dizer: na esfera do futebol, incompetência dos dirigentes não encontra cerca de limites. Por mais que a realidade produza as evidências todas pro caminhar em contrário, os sujeitosos cartolas continuam repisando os erros mesmos de sempre.

Assim foi. A diretoria celeste demitiu o treinador Marcelo Oliveira.

Em dois anos e mais metade, Marcelo foi o maestro que emprestou o talento de sua afinação para o time azul encontrar compasso de jogar por música. Assim papamos na gulodice os campeonatos brasileiros de treze e de catorze.

Este quinze era ano para reformulação. Meio time foi mexido no desmonte e o material novo colocado à disposição do Marcelo não mostrou liga de regularidade. Até chegou a apresentar disciplina para bons jogos e, na Libertadores, quando a coisa ensaiava ficar bonita, veio a traulitada da desclassificação em Mineirão pleno das gentes de azul. Nada além de futebol.

Mas o fracasso da empreitada não soava dúvidas quanto à notória competência do treinador. Aí vem a Diretoria fazer média pequena para demonstrar seu algum falso ativismo: demite o maestro da orquestra em atitude sem qualquer flerte com o bom senso. Não foi outra coisa que imbecilidade travestida de solução.

Bom senso era marca que Marcelo sempre estampou na face e na fala. Caboclo vestido na simplicidade. Craque firmoso na inteligência. Compromisso todo com o jogo jogado em toque redondo de bola. Sujeitoso daqueles fora da série. Tipo da gente que anda escasso achar em qualquer canto ou ofício. Nem nenhuma sanha elogiosa de parágrafo inteiro dará conta da boniteza desse caráter.

O torcedor cruzeirense vai sentir essa falta demais da conta.   

Reinou em outra vez a visão míope de curtíssimo alcance. Sobra cargas de burrice nos gabinetes do Barro Preto e nos camarotes do Mineirão. Vai faltar bom senso na beira da cancha.